sábado, 22 de novembro de 2014

Atlanta | The World of Coca-Cola


Querida Sofia, 
Como expliquei na primeira carta sobre Atlanta, pouco ou nada sabia sobre Atlanta antes de aterrar. É a cidade onde foi fundada a bebida - e, consequente a marca - Coca-Cola, pelo John Pemberton. Uma praça muito frequentada homenageia-o na cidade, e da lugar também ao Museu World of Coca-Cola, não muito longe da Sede da empresa. O espaço tem o seu interesse, mas é uma visita guiada de grupo, com vários momentos pré-fabricados e que não são muito a minha praia. Há um momento em que nos fecham todos numa sala para descobrirmos o que é a felicidade. Okay. Não sou grande fã da bebida, mas por ter uma amiga que trabalha directamente na Comunicação Internacional da Coca-Cola, sei que é uma empresa com um tremendo impacto socio-cultural no mundo inteiro. Em Angola, é uma grande entidade que emprega e dá o sustento de muitas famílias. Pelo poder da sua marca, a sua internacionalização - podes rever o spot da Coca-Cola Angola (único em África!) aqui - vale a pena conhecer mais um bocadinho da sua história. Ah, ia esquecendo: há um labirinto no museu que nos leva a conhecer o segredo da receita da bebida num cofre gigante. Nem te digo qual é, pois seria um spoiler e não quero ser responsável por desvendar o segredo mais bem guardado da humanidade, post-Fátima. 

World of Coca-Cola 
121 Baker Street NW 
Atlanta, Georgia 

Mais sobre Atlanta (e outras cidades americanas) aqui

Todas as fotos após a tradução. 

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Chanel (and Baz Luhrmann) did it again



Querida Sofia, 
Uma amiga enviou-me este vídeo há um mês, mas só abri o email hoje. Já deves ter visto este vídeo um milhão de vezes, mas fiquei com pele de galinha de tão arrepiada. Muito bom, apesar de sentir falta da química entre o Rodrigo Santoro e da Nicole Kidman - vale a pena ver de novo aqui. Deve ser um mix da magia da presença do Michiel Huisman, que conheci na série Nashville, com a realização do Baz Luhrmann. 

Dear Sophie, 
A friend sent me this video a month ago, but I only got to open her email today. You must have already seen this video a dozen times, but I had goosebumps at first sight. It's absolutely delicious, even if I miss Rodrigo Santoro and Nicole Kidman's chemistry - see it again here. The magic must be due to Michiel Huisman's presence (discovered his acting skills on Nashville) and Baz Luhrmann's direction. 




quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Samakaka is international thanks to Urban Tribe Berlin

Querida Sofia, 
Quando dizem que por vezes são os estrangeiros que mais valorizam o que é nosso, há sempre um fundo de razão. Descobri hoje que uma empresa alemã - a Urban Tribe Berlin - fez peças de roupa com o padrão Samakaka (este padrão é 100% Mwangolé!). Quero comprar aquele vestido de couro já. Não é a minha cara? 

Dear Sophie, 
There is a hint of truth when one says that only foreigners appreciate what already belongs to us. I discovered that a German brand - Urban Tribe Berlin - does pieces of clothing with the Samakaka. This pattern is 100% Angolan! I want that leather dress now. Isn't it so me?


quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Atlanta | La Fonda Latina

Querida Sofia, 
Uma das primeiras coisas que faço sempre que chego aos Estados Unidos é atirar-me a restaurantes de comida Thai e sobretudo, Mexicana. Thai, ainda vá que não vá, excepto em Luanda, encontro em qualquer canto do mundo. Mas é mais difícil encontrar comida mexicana (há um tex-mex em Luanda que merece uma carta minha brevemente). 
Atlanta é a cidade mais próxima do meu país natal onde jamais estive, e isso marcou-me por alguma razão inexplicável. Nada como me aproximar de sabores mais latinos para me sentir ainda mais confortada nessa boa impressão. Há várias La Fonda Latina em Atlanta, as doses são generosas e a comida é boa. Mas não tão boa como o Qdoba... mas vale a pena na mesma (e claro, na Georgia, é mais barato). 


Atlanta | Around Martin Luther King, Jr.'s steps


Querida Sofia, 
Fui a Atlanta na minha penúltima visita aos Estados Unidos, sem saber nada sobre a cidade além de que tinha acolhido os jogos olímpicos de 1996. Foi ao colocar no Instagram que ia para lá que algumas pessoas começaram a dar-me algumas dicas e dei-me conta que tinha acabado de aterrar numa cidade cheia de coisas para ver. Comecei o primeiro dia bem cedo na Ebenezer Baptist Church, onde o Martin Luther King, Jr. foi pastor. À volta do edifício podemos encontrar o Martin Luther King. Jr, Center for Nonviolent Social Change, o MLK Memorial, e outros monumentos e estruturas que celebram os que lutaram pela paz e justiça no mundo inteiro (Gandhi, Coretta King, Rosa Parks etc.). Se algum dia fores a Atlanta, este é um bairro da cidade a não perder. 

Todas as fotos após a tradução. 

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Found you.


70 coisas sobre mim - Parte 2 | 70 facts about me - Part 2



Querida Sofia, 
A primeira parte está aqui.
Dear Sophie, 
First part started here

11 - Em casa, gosto de comer tudo em tigelas, mesmo o que não se come em tigelas. I love eating in bowls when I am home. Even if there are things you shouldn't eat out of a bowl. 

12 - Não gosto de mudar de telefone ou computador. Quando me habituo às coisas, tenho grande dificuldade em trocá-las. I do not like to change electronical devices. Once I get used to a device, it's quite hard for me to change it. 

13 - Tentei ser vegetariana durante 46 dias em 2004. Nunca mais tentei, apesar de gostar muito de produtos vegetarianos ou vegan. I have tried to be a vegetarian for 46 days in 2004. Never repeated the experience yet I love vegan/vegetarian products. 

14 - Só consigo trabalhar com pessoas que admiro. Quando deixo de as admirar, perco completamente a motivação e não consigo esconder. I can only work with people whom I admire. Once I stop admiring them, I completely lose motivation and I cannot hide it. 

15 - Não sei fazer nada com as mãos: trabalhos manuais, costura, conduzir. Okay, sei digitar e cozinhar e é o fim da lista. I do not know how to craft things such as DIY projects, sewing, driving. I just know how to type and cook and that is all. 

16 - Oiço música todas as manhãs, enquanto preparo-me para o trabalho. Vou contanto o tempo a passar com o número de músicas (1 música para vestir, 1 música para me pentear, 1 música para me maquiar, 2 músicas para comer se ainda tiver tempo para comer). I listen to music every morning while I am getting ready for work. I count time with songs. 1 music to get dressed, 1 to style my hair, 1 to put on my make-up and 2 to eat if I still get to have time to eat. 

17 - Raramente atendo chamadas (depois das 21h). I rarely answer calls (after 9pm). 

18 - Não gosto de quase nada associado com a série Sex and the City pois todas as mulheres são obcecadas com o tema. Não compreendo. I do not like anything associated with Sex and the City because women feel they have to like it. I just don't get it. 

19 - Apanhei 27 vôos em 2014, com a maioria sendo longo curso. I took 27 flights in 2014. Most of them were long distance. 

20 - Não consigo dormir em carros. No máximo, fecho os olhos, mas nunca consigo adormecer. I just can't sleep in cars. I can close my eyes for a little while, but I never get to fall asleep. 

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

You made me (a) smile.



Kassie "Cloudy Apples", the vlogger who broke my heart in Singapore


Querida Sofia, 
Tive noites muito mal passadas em Singapura. Por uma razão inexplicável, não conseguia dormir. Sempre vivi com insónia, desde muito nova, mas desde que voltei para Luanda, é raro não ter sono ou não estar a dormir pelas 21h. 
Nessas noites em branco na Ásia, ficava na cama, por baixo do cobertor e da almofada, a ver vídeos no Youtube. E um dia deixei uma corrente de vídeos "Draw my life" passar automaticamente, com os meus olhos fechados. Ao ouvir a voz em um dos vídeos, senti-me ficar sem ar. Uma jovem mulher, com uma voz mais que meiga, com tonalidade de choro, a contar a sua história. Abri os olhos, vi o vídeo. Vi aquele vídeo umas 50 vezes desde esse momento, e é dos vídeos que mais me marcou alguma vez na vida. Estou a falar da vlogger Kassima Isabelle, mais conhecida por Kassie ou pelo nome de Youtube "Cloudy Apples". Teve uma vida cheia de altos e baixos, em países diferentes e com vivências diferentes de tudo o que é comum. E sofreu com uma incrível tragédia na sua vida, que a fez mudar muito da sua personalidade. Desde então, fico sempre ansiosa pelos novos vídeos da Kassie e do namorado Terry. Temos vidas muito diferentes, mas a honestidade dela conforta-me tremendamente. É tão raro encontrar gente genuína na internet ultimamente - todo o mundo fala da mesma coisa e da mesma forma - que não me pude impedir de escrever uma carta sobre ela. 

Mais sobre a Cloudy Apples aqui
Aqui segue o vídeo que menciono nesta carta.


domingo, 16 de novembro de 2014

"Eu gosto de sopa, ao almoço e ao jantar"


Querida Sofia, 
Sou uma tremenda fã de sopa (lembras-te da minha obsessão por gazpacho?), tento comer a cada almoço nos restaurantes onde vou (visto que vou a restaurantes todos os dias). Normalmente, quando peço sopa + prato principal, fico suficientemente satisfeita até à hora de jantar (aliás, até há dias em que nem jantar como). Infelizmente, nem sempre sei o que colocam na sopa aqui em Angola, mas já vi combinações estranhas como batata com massa, então por vezes é preciso escolher bem. A melhor maneira de garantir que não vou ter uma sopa cheia de óleo é fazer a minha própria sopa em casa. Acho que em 3 anos em Angola, apenas fiz sopa 3 vezes, por vários motivos, que vão da preguiça ao facto de odiar a cozinha da minha actual casa. A minha última experiência foi fabulosa: uma sopa de grão, com repolho e cenoura (e depois de um minuto no liquidificador, 1 fio de azeite e especiarias). Fiz numa quantidade tão grande que não precisei fazer jantar durante 8 dias seguidos, pois tinha sempre uma dose de sopa para comer, e que alimentava bastante. Mal posso esperar para fazer de novo. 

E tu? Gostas de sopa? Qual a tua receita preferida? 

Luanda | Restaurante Veneza

Querida Sofia, 
Não sou grande fã do restaurante Veneza, que fica na Avenida Che Guevara em Luanda. Já lá jantei duas vezes em três anos, é verdade que as doses são tão grandes que alimentam um batalhão, mas continuo a não compreender/gostar de restaurante com televisão e muito virados para jogos de futebol de outros países. Acho o conceito meio pobre, e fico sempre mais rendida a restaurantes com ambiente mais cozy e música decente, sem ar de tasca. Por esses motivos, pego mais vezes a refeição em take-away - já lá devo ter encomendado o famoso "Bacalhau que nunca chega" (que é bacalhau à brás com toucinho -, e é sempre do agrado de todos em reuniões de família (excepto de um dos meus irmãos mais velhos, que já se fartou do prato por excesso de consumo). 

Dear Sophie, 
I am not that big a fan of Restaurant Veneza at Avenida Che Guevara in Luanda. I must have had dinner twice in three years over there. It is true that their servings can feed a batallion, but I really dislike restaurants with screens, made to watch football/soccer games from other countries. I think it is an odd concept and I'd rather spend my money in cozy restaurants with good music. This is the reason why I mostly get food in take away over there, especially their codfish speciality called "Bacalhau que nunca chega" (with bacon, can you imagine?). It's always a family delight (except for one of my older brothers, who grew tired of the dish for excessive consumption). 


sábado, 15 de novembro de 2014

A minha semana em 120 horas | My week in 120 hours



30 horas a dormir 
30 hours sleeping. 

10-15 horas de preguiça na cama, tanto de manhã como à noite, geralmente no telefone, a conversar ou a ver séries (ou também a responder a mails de trabalho). 
10-15 hours spent lazying around in my bed, checking my phone, talking or watching series (and also answering work emails). 

5 horas para me preparar de manhã. Banho, maquilhagem, cabelo, roupa. 
5 hours to get ready in the morning. Shower, make-up, hair and dressing up. 

15-20 horas passadas no carro, que seja para ir para casa ou trabalho, na hora do almoço, a caminho de reuniões (mas aproveito para responder a emails de trabalho, ler notícias, ver as redes sociais, ver o whatsapp, falar no skype com a minha agência ou descansar os olhos)
15-20 hours spent in my car, either commuting, going for lunch or meetings (but the good things is I spend this time answering work emails, reading the news, checking my social media feeds, checking my whatsapp, have skype meetings with my agency or just resting my eyes).

10 horas passadas a comer ou cozinhar (cozinhar=ver as coisas desfilar ou aquecer no microondas ou esperar a entrega de comida em casa ou no restaurante). Geralmente quinze minutos de manhã, pouco mais de uma hora ao almoço e meia hora ao jantar. Raramente lancho à tarde. 
10 hours eating or cooking (cooking as in seeing things heat in the microwave, waiting for food delivery at home or in a restaurant). I usually take 15 minutes to eat in the morning, a big hour by lunch time and half an hour at night. 

1 hora no blog - geralmente escrevo ao final de semana e vou publicando durante a semana. Nos dias de trabalho, apenas leio os comentários. 
1 hour blogging - I usually write during the weekend and publish my articles during the weekdays. On these, I only check comments. 

39-49 horas a trabalhar. Isso sem contar tudo o que já faço a partir da minha cama ou do meu carro. 
39-49 hours working. When we do not count all the work I get done from my bed or in my car. 

(quanto ao fim-de-semana, é geralmente constituído de 48 horas na cama. 
My weekends are usually about spending 48 hours in bed)

Ælitis' Revue de Presse #12

Querida Sofia, 
Aqui seguem os artigos que mais me marcaram nos últimos dias. 
Dear Sophie, 
Here are a few articles that I highlighted for the past few days. 

I'm not trying to have it all - Stop calling me a working mom - Dailyworth.com 
Um apartamento em Paris - Mini Saia. 

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

New York | Au Bon Pain

Querida Sofia, 
Sou de uma família onde nascemos com Mestrado em Engordamento Fácil e eu consigo engordar dois quilos de um dia para o outro (ou até no mesmo dia). Mas uma das coisas que mais me surpreende em Nova Iorque é o quanto como como uma maluca e não engordo lá. É como se houvesse uma lei da compensação absurda apenas por lá, mas aproveito na mesma. Numa manhã de fim de inverno, o meu irmão e eu deixámos as sobrinhas na escola e andámos a cidade inteira à procura de um Au Bon Pain. É uma cadeia de cafés e há a cada esquina, mas nesse dia, não estávamos a encontrar nenhum e andámos mais de dez ruas e várias avenidas até encontrar um. E às oito da manhã já tínhamos comido mais calorias que um dia inteiro em Luanda. Lattes dos bons, croissants recheados com tudo o que vocês possam imaginar e tenham no frigorifico, bagels, cookies e muffins, chá gelado, sumo de laranja. OMG, não sei como fizemos aquilo, mas acho que só voltei a comer à hora do jantar (estou a mentir). 

Este Au Bon Pain era na 47th street, mas há muitos mais que podem encontrar aqui

Entretanto, as minhas cartas sobre Nova Iorque estão a ganhar alguma consistência aqui no blog, então para lerem mais sobre NYC, basta clicar aqui

Just how much you mean to me

Querida Sofia, 
Uma foto sem legenda pode não ter grande significado para quem não estava presente no momento de tirar uma foto. Tu, que desconheces o contexto desta foto, podes achá-la banal. Uma amiga, a quem eu enviei esta foto, gritou de alegria. Eu, que sei de tudo, que me lembro de tudo, sinto um misto de saudade com esperança e a maior tristeza do mundo. 

Dear Sophie, 
A captionless photo doesn't have much sense if you were not present at the moment a certain photo was taken. You, that unknow the context of this picture, might find it quite trivial. A friend of mine, to whom I sent this picture, screamed with joy. I, who knows everything, who remembers everything, feel a mix of sorrowm hope and the greatness sadness in the world. 


quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Trezentas e setenta e três certezinhas

Querida Sofia,
A verdade é que voltei a gostar e ler o blog da Garance desde que ela se separou do Schuman. 

Dear Sophie, 
Truth is that I restarted liking and reading Garance's blog since she broke up with Schuman. 

New York | Max Brenner

Querida Sofia,
Nunca perco uma oportunidade para passar na Max Brenner, em Union Square. Já lá devo ter ido, sinceramente, umas dez vezes. Sempre opto pelo chocolate branco quente na sua mug hug típica. Por vezes, vergo pelos pratos doces (tem waffles de morango e chocolate tão bons), mas nesta última viagem, fui de manhã e comi um pequeno-almoço salgado: uma panqueca fina com ovos, queijo e espinafres. Quis forçar, pois estava muito bom, mas só consegui comer metade. Era enorme! Recomendo completamente este lugar, tanto para um encontro romântico quanto para levar a família.

Max Brenner
841 Broadway - Union Square
New York

Todas as fotos após a tradução.


quarta-feira, 12 de novembro de 2014

New York | All that Shopping



Querida Sofia, 
Acreditas que comecei a escrever esta carta em Fevereiro 2013 e estava no rascunho desde então? Para remediar, combinei em apenas um artigo (quase) todas as minhas compras de 2013 e 2014, então prepara-te para a chuva de fotos. 

Dear Sophie, 
Can you believe me if I tell you I started starting this letter in February 2013 and it was a mere draft ever since? To fix this, I am posting almost all my shopping from 2013 and 2014 in this single post. Fair enough?


Continue a ler / Continue here



terça-feira, 11 de novembro de 2014

New York | Beanocchio Café

Querida Sofia, 
Perto do Liceu Francês de Nova Iorque no Upper East Side, tem uma pequena pastelaria com croissants e bagels óptimos e de todos os tipos. Um bom spot longe de qualquer confusão mais turística. 

Beanocchio Café
1413 York Avenue (76th street) 
New York

Dear Sophie, 
At Upper East Side, not far from Lycée Français de New York, you can find this small café with amazing pastry. It's a nice spot hidden from all the tourist hoards. 





New York | Vive la Crêpe at The Plaza Hotel Food Hall


Querida Sofia, 
Bem escondido dos olhos de todos e dos graus negativos que se faziam sentir, está o The Plaza Food Hall, no subsolo do The Plaza Hotel. Cheio de restaurantes e stands muito agradáveis e discretos, encontramos a crêperie Vive la Crêpe, onde passei um fim de tarde com a minha cunhada e sobrinhas. A próxima vez que for a Nova Iorque, já não terei as sobrinhas lá - já voltaram para Luanda -, mas os pequenos momentos de família na cidade estarão para sempre gravados no meu coração. 
Para matar as saudades que eu nem sabia que existiam, comi um crêpe com nutella (as minhas sobrinhas comeram os de fiambre e queijo gruyère) e bebi um Orangina! Nada mais francês e aconchegante que estes sabores de casa! 

Vive la Crêpe 
The Plaza Hotel 
New York 

As fotos após a tradução. 

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

New York | Manhattan & Roosevelt Island from the Queensboro Bridge







Roosevelt Island







Prémio do Estudante do Ano 2014 - Nova Gazeta | Nova Gazeta Student of the Year 2014 Award Ceremony



Querida Sofia, 
Um dos pontos altos do meu ano terá sido a gala de entrega do Prémio do Estudante do Ano 2014 da Nova Gazeta. A Nova Gazeta é um jornal de distribuição gratuita extremamente popular junto da população estudantil em Angola. O prémio foi atribuido a onze disciplinas diferentes (Medicina, Engenharia, Direito, Gestão...) ao melhor estudante em cada categoria. A cerimónia em si teve as suas fraquezas - começou com mais de duas horas de atraso, para minha grande irritação - mas também a sua força, pois reuniu grandes nomes da educação em Angola, como Dr. Orlando da Mata e o Dr. Filipe Zau, os reitores da Universidade Agostinho Neto e a Universidade Independente, respectivamente. Estive presente para atribuir o prémio para o melhor estudante em Ciências Económicas e Gestão, e que honra não foi para mim! 
Para a cerimónia, usei um vestido Ted Baker. 

domingo, 9 de novembro de 2014

Pictionarying

Querida Sofia, 
Não sou muito chegada à minha família. Mas, por vezes - uma a duas vezes por ano -, quando nos reunimos, até que não é assim tão mau. 

Dear Sophie, 
I am not really close to my family. But sometimes - once or twice a year - it isn't that bad to be together. 


Luanda | A Telepizza já chegou a Angola!



Querida Sofia, 
Abandonei recentemente o projecto Luanda Nightlife - mas podes ler os posts que orgulhosamente escrevi aqui -, mas não é razão para deixar de falar de comida ou de sair para comer, bem pelo contrário. O projecto LNL fez com que eu gostasse de viver em Luanda e fez-me descobrir tanta coisa em Luanda e é a única lição que tiro dessa experiência de um ano. 





Uma das novidades em restauração em Luanda é a recente abertura da Telepizza em Talatona (Luanda Sul), em parceria com a cadeia de supermercados Casa dos Frescos. Isso quer dizer que no futuro, perto de cada Casa dos Frescos, poderemos encontrar uma Telepizza. Não são as melhores do mundo, mas gosto da massa e da rapidez no serviço. Nos períodos de maior rush no trabalho, é frequente encomendarmos para comer frente ao computador. 

sábado, 8 de novembro de 2014

Apple'ed


Querida Sofia, 
Adormeci ontem pelas 20h e acordei seis horas mais tarde. Já cheia de energia e nem 3 horas da manhã eram. Tenho um milhão de novidades por contar, a minha vida deu tanta volta nos últimos meses (e, ao mesmo tempo, consolidou-se no mesmo lugar). Deste Junho e depois de estar no Rio de Janeiro, estive em Singapura, Lisboa, Frankfurt, Bruxelas, Antuérpia, Maastricht, PARIS e Valencia. Um milhão de coisas por partilhar, então vamos aos poucos. 
2014 tem sido um dos anos mais ricos em emoções para mim, e um ano que guardarei para sempre dentro do meu coração como um dos melhores da minha vida. O ano ainda não acabou, e pouco importa o que acontecer, este finalmente suplantou 2009, que tinha sido anteriormente o melhor ano da minha vida. Apesar dos momentos menos felizes, considero-me extremamente abençoada, extremamente dedicada e o caminho a seguir é continuar assim. 
Última pequena, mas BOA notícia: depois de três anos sem computador para escrever (o que tenho, que trouxe de França, serve apenas para ver séries), comprei um MacBook Air em Lisboa em Setembro. Ainda me estou a adaptar (pensei que seria fácil depois de 8 anos de iPhone, iTouch e iPad), mas apenas quer dizer que não terei de passar sábados no escritório para escrever um bocadinho por aqui. Stay tuned, que haverá cartas por aqui pelo menos até o final do ano. 

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Onde estou no mundo | Where am I in the world

Querida Sofia,
Acabei de passar uma semana no Rio de Janeiro, Brasil, em plena Copa do Mundo. Tirei esta foto-cliché do alto do Pão de Açúcar. Não visitava a cidade - onde morei rapidamente quando era pequena - desde 1993.

Dear Sophie,
I just spent a week in Rio de Janeiro, Brazil. In the height and hype of the World Cup. I took this shot from Pão de Açúcar - The Sugarloaf Mountain. I hadn't visited Rio - where I lived briefly as a child - since 1993.



 

quarta-feira, 11 de junho de 2014

If only I had the time

Querida Sofia, 
Se tivesse tempo, enviar-te-ia mais dicas de Cape Town e outras viagens, mais coisas que têm acontecido, mais dicas de restaurantes e pastelarias imperdíveis em Luanda, mas como não tenho tempo ficam apenas as fotos. Esta pastelaria, Suc'Ara, tem sido uma lufada de ar pão fresco num contexto de pastelaria luso-angolana que já estava a começar a ficar - excepto os pastéis de Nata - meio sem graça para mim. Falamos brevemente!
 
Dear Sophie,
I really wish I had the time to sit and be thorough about my life, my love(s), my trips and everything that has been happening out here, especially the nice little restaurants and bakery in Luanda. This one bakery, Suc'Ara, has been a breath of FRESH BREAD AIR for me. I am so tired of this Portuguese slash Angolan bakery context. I need my French items! Will talk about it soon.
 
 


segunda-feira, 9 de junho de 2014

A Ralphização da publicidade em Angola



Querida Sofia,
Reparei hoje de manhã, na página do Facebook do blog, que o Anselmo Ralph, um cantor luso-angolano, está em várias campanhas publicitárias. Mas não são campanhas quaisquer, para marcas quaisquer, mas 3 grandes marcas angolanas.
 
1 - Coca-Cola Angola, num spot muito giro que mudou tudo o que se faz regionalmente com a Coca-Cola em África;


 
2 - Unitel, que é apenas a maior rede/operadora de telecomunicações em Angola;


 
3 - Agora o BESA, o Banco Espírito Santo Angola (vamos esquecer os escândalos financeiros associados à marca) com o Cristiano Ronaldo. Confesso que me assustei um bocadinho quando ouvi isto na Rádio hoje pela manhã.
 

 
I mean... eu até gosto do moço (e deveria ficar histérica por ele estar com um dos melhores jogadores do mundo, etc? pronto okay, parabéns para eles), mas não compreendo quando uma única pessoa é escolhida para representar várias marcas.

Tipo... o George Clooney associamos a... isso mesmo. Se fossem várias marcas, seria mais confuso, não?

Okay, não temos muita gente famosa e com boa reputação em Angola, mas na vontade de bem fazer, estão a saturar a imagem de uma só pessoa. Trabalho em Marketing e anualmente propoem-me nomes para as campanhas da minha empresa. Neste momento, mesmo que tivesse o budget, não avançaria com o Anselmo. That's all.

sábado, 7 de junho de 2014

The Queen's Speech

Vi este vídeo hoje pela manhã e tive a certeza de três coisas:
- admiro muito a clareza de espírito que a Rainha Elizabeth (sorry, não vou chamar de Isabel) ainda tem e a fluência no Francês (o neto dela, P. William, é uma nulidade em francês ao lado, aquele discurso no Canada em 2012 ainda me magoa os tímpanos);
- o François Hollande mostra uma tremenda falta de respeito e chá ao ler o menu e olhar para o lado enquanto a RAINHA ESTÁ A DISCURSAR, seu BANANA! Só faltava assobiar de ócio...
- ela diz "My first state visit was in 1948, just after our wedding and 4 years after D-Day": e isto, amigos, é o que faz com que ela seja aquela que estava aí no começo, está no presente, estará no fim e nós vemos os navios a passar. P. Charles, ainda vai demorar para seres rei. Fica frio.

I saw this video this morning and I became sure of three facts:
- I really admire the Q2II's energy at 88. Her fluidity and clearness of spirit and mind. Her fluency in French is admirable (her grandson Prince William's French speech in Canada in 2012 is still cringing for my ears);
- François Hollande confirms he's simply a etiquette-less man, a true moron who looks at the menu instead of focusing on the speech this incredible lady is giving in two languages;
- when she says "My first state visit was in 1948, just after our wedding and 4 years after D-Day", this my friends, is called KILLING YOU WITH AMAZINGNESS. She's been there before (way before), she's here now, she's not ready to go. Hold your horses, Prince of Wales, you ain't gonna be king anytime soon.



terça-feira, 3 de junho de 2014

Escape to the Cape - Part 6: Fairview goats, cheeses and wines

Todas as fotos foram tiradas com Canon G11
 
 
Querida Sofia,
Saímos da herdade de Boschendal até Paarl, mais especificamente para Fairview, que é mais do que uma adega: é uma quinta fabulosa e imensa, famosa pelas suas cabras (que têm o seu próprio hotelzinho) e consequentemente, pelos seus queijos. Aliando uma tradição tipicamente Francesa com as terras sul-Africanas, a família Back – que controla Fairview - criou também alguns vinhos e as degustações vinho-queijo são uma autêntica festa de sabores. Do Brie, ao camembert, à feta, ao queijo azul tipo roquefort, se pudesse, teria levado TUDO para casa. Escolhi levar produtos secos: especiarias, uma mistura de sabores italianos e uma mistura para fazer chakalaka em casa, um dos meus pratos preferidos na África do Sul e que não como há uma dúzia de anos. Fica pessoalmente o desafio para voltar a falar sobre este prato, as suas especiarias e receita dentro em breve, quando eu tiver tempo de entrar na minha cozinha (que já nem sei de que cor são as minhas panelas, sinceramente…).
 
Para terminar um dia cheio de sabores intensos, fui descansar um bocadinho no espaço exterior de Fairview para respirar um pouco de ar fresco e pensar minha vida com um croissant delicioso. Tinha sido a primeira coisa que comia depois do meu pequeno-almoço: foi bem merecido.
 
Todas as fotos após a tradução.
 

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Perguntei a Deus, há meia hora, como seria a minha semana. E ele respondeu.

E esta música, que não ouvia há meses, começou a tocar. É apenas uma das minhas preferidas, daquelas que oiço quando me sinto down (e visto não andar a sentir-me down neste momento, estou lá em cima). Tenho de voltar ao trabalho e estou MOTIVADA!
 
U2 - City of Blinding Lights
 
I asked God, half an hour ago, what would my week be like. And he answered. This music , that I hadn't heard in months, started playing, and it's just one of my favourites in the world. It's usually the kind of music I listen to when I am feeling down... but as I wasn't feeling down, my happiness just went through the roof. Have to go back to work, and I am motivated!


terça-feira, 20 de maio de 2014

70 coisas sobre mim - Parte 1 | 70 facts about me - Part 1

 
 
Normalmente são 50, mas adoro fazer render o peixe e como adoro o nº7, vou fazer render o peixe. No fundo, isto corresponde aos posts “Certezinhas” combinados num só, certo?
I know the TAG only asks for 50 facts, but you know me, as I love number 7, I will milk on this one.
 
1- Tenho uma fixação pelo nº 7. I am obsessed with number 7.
 
2- Não gosto de atender o telefone. I do not like answering the phone.
 
3- Mais do que uma vez por semana, o meu jantar consiste em apenas 1 litro de leite com chocolate sem açúcar. More than once a week, my dinner is composed solely of a litre of sugarless chocolate milk.
 
4- Sou a mulher mais alta da minha empresa. I am the tallest woman in my company.
 
5- Não sou grande apreciadora de pessoas que falem muito. Pior ainda são as que interrompem constantemente as outras para falarem ainda mais. I am not really fond of people who talk too much. It gets worse with people who constantly interrupt other to talk a little more.
 
6- Acordo todos os dias pelas 5 horas - naturalmente. I naturally wake up by 5am every day.
 
7- E ao invés de ir a correr preparar-me, fico no Instagram a ver a vida das pessoas. But do I go straight to the bathroom to get ready? NAH! I stay on Instagram, scrolling into people’s lives.
 
8- O meu lugar preferido em Luanda é o meu escritório. My favourite place in Luanda is my office.
 
9- Entre branco ou tinto, vou sempre pelo vinho branco. When I have to choose between white or red, I always go for the white wine.
 
10- Já estou a planear uma viagem para daqui algumas semanas. I am already planning an upcoming trip I am about to do in a few weeks.
 
Reconheces-te em algum destes factos?
Do you recognise yourself in one of these facts?

domingo, 18 de maio de 2014

Aimewitue

"I just wish that the world could witness all the joy you make me feel"
 
Musiq Soulchild - Aimewitue
 
 

sábado, 17 de maio de 2014

Escape to the Cape - Part 5: Stellenbosch and Boschendal

Todas as fotos foram tiradas com Canon G11
 
 
Querida Sofia,
Depois de uma hora muito bem passada na adega Uva Mira, rumamos para Stellenbosch, a segunda cidade mais antiga da África do Sul, depois de Cape Town. Fundada em 1679 por Simon van der Stel – ele tem outra cidade com nome homenagem, Simon’s Town, sobre a qual falarei a posteriori -, a cidade prima pela sua arquitectura tipicamente holandesa que se foi adaptando à realidade do clima da província do Cabo Ocidental: Cape Dutch architecture.
 
Este nome, Stellenbosch, é-te familiar? É bem possível, de novo pelos vinhos da região, que são famosos no mundo inteiro. Esta cidade de 75 mil habitantes também é famosa internacionalmente pela sua universidade: apesar da língua oficial ser o Afrikaans, já há cursos leccionados em Inglês – e pelo que ouvi dizer, os exames são em inglês. Faz sentido…
 
Ao deixarmos Stellenbosch, que achei ser uma cidade bem fofinha e bonita, mas sem grande animação, fomos para o vinhedo de Boschendal. O nome também é conhecido, certo? Sou fã do vinho, mas fizemos apenas um pit stop para um café e uma tarte de limão com merengue. Ainda nos esperavam outras degustações de vinho pela frente.
 
Todas as fotos após a tradução.
 

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Escape to the Cape - Part 4: The Winelands and Uva Mira

Este post contém fotos tiradas por Canon G11 e iPhone 5
 
Querida Sofia,
O Cabo Ocidental (província onde a Cidade do Cabo está situada) é bastante conhecido pelas suas incríveis vinhas. «Porque é que um país africano produz vinho?», poderão estar a perguntar-se. Bem, comecemos pelo início: a África do Sul tem um excelente clima e solos para cultivar as melhores uvas. O clima é muito semelhante ao mediterrânico (com Invernos frios e húmidos e Verões quentes e secos), e tem o mesmo nome, apesar de estar a quilómetros de distância da Europa. Em segundo lugar, historicamente, a África do Sul recebeu um fluxo de colonos franceses no séc. XVII. Como bons franceses que eram, começaram a cultivar videiras e a produzir vinho. E queijo. Bem, essa é outra história que contarei em outra carta.
 
Voltando ao vinho: o vinho sul-africano tem muito boa reputação pelo mundo. Depois de anos a provar vinho francês, acredito verdadeiramente que algumas das técnicas estão bastante próximas. E o travo amadeirado (ou os sabores de madeira, caso sejam pervertidos mentais) é semelhante, uma vez que a madeira usada nos tonéis sul-africanos é a mesma usada pelos franceses. Mas chega de falar: gostava de vos poder enviar algumas das amostras que provei na Cidade do Cabo. Espero que tenham a oportunidade de viajar e de provar por vocês mesmos ou de encontrar algum destes vinhos na vossa mercearia ou loja gourmet local. A caminho da nossa primeira paragem, entre Langa e as Winelands, vimos os Estúdios de Filmagem da Cidade do Cabo. Fiquei intrigada: o que estariam a filmar? Seria um filme de piratas? Estaria o Johnny Depp lá? Seria necessário investigar um pouco, mas havia vinho para provar.
 
Fomos para as montanhas de Helderberg, mais precisamente para a adega Uva Mira, na zona de Stellenbosch. Uva Mira é uma adega laureada com múltiplos prémios: uma vez que não consigo dizê-lo melhor do que eles, deixem-me copiar os factos que se lêem no website: «A paixão e o cuidado que levam à criação dos vinhos Uva Mira reflectem-se nos numerosos prémios locais e internacionais que temos recebido ao longo dos anos. Estes incluem “Melhores Produtores de Vinho Sul-Africanos do Ano” e “Melhor Chardonnay do Mundo” no International Wine and Spirit Competition (Concurso Internacional de Vinho e Bebidas Espirituosas), em 2006. Stephen Tanzer, crítico independente de vinhos dos E.U.A., qualificou os nossos vinhos com pontuações de 93+ na sua edição da criticamente aclamada “International Wine Cellar”. John Platter tem, consistentemente, qualificado os nossos vinhos de 4½ até 5 estrelas, e temos recebido óptimas críticas dos nossos amantes de vinho por todo o mundo. O nosso famoso Chardonnay de Vinhedo Único e Uva Mira (o nosso vinho tinto seleccionado) foi altamente galardoado na recente edição de 2010 dos Decanter World Wine Awards, em Londres, recebendo não só o Ouro, mas também o Troféu Regional.»
 
Provámos o Sauvignon Blanc deles (que eu comprei), o Merlot Cabernet Sauvignon e a edição especial de 2007. Queria muito provar o Chardonnay, mas já não havia. Foram vítimas do seu próprio sucesso e o vinho estava esgotado. Prova de vinhos à parte – uma vez que não pode haver partilha online de sabores –, permitam-me partilhar o restante: a vista. Que incrível era a vista de Uva Mira para o Cabo. Não é possível vê-lo e as minhas fotografias, infelizmente, não lhe fazem justiça, mas pode ver-se toda a extensão do Cabo da Boa Esperança a partir de Uva Mira. E juro por Deus que não fiz nenhuma edição de imagem a estas fotografias. O tempo estava tão extraordinário – quente, mas não tanto como em Angola –, os céus tão límpidos, que fomos abençoados com a Natureza no seu melhor. Podia ter ficado lá para sempre, mas tinha mais adegas para visitar naquele dia notável.

Post traduzido para português e corrigido em inglês por Pedro Martins - pedroglmartins (at) gmail (dot) com
 
Saiba mais sobre os Cape Town Film Studios aqui e a adega Uva Mira aqui.
 
 

Panoramic photo. Click and check Table Mountain in the horizon. Imagem panoramica. Clica e vê a Table Mountain no horizonte

Todas as fotos após a tradução.
 

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Escape to the Cape - Part 3: The Real Face of Langa, a South African Township

 
Todas as fotos desta carta foram tiradas com Canon G11

Querida Sofia,
Saímos do centro cultural Guga S’Thebe (depois de ver a sua cerâmica, sala de música e dança e artesanato) e fomos dar um passeio por Langa com a nossa guia, a Sugar.
 
Os townships foram concebidos na era do Apartheid para retirar as populações negras do centro da cidade. Estas eram realocadas aos townships para viver, mas podiam continuar a trabalhar na cidade, onde existiam os postos de trabalho. Ficavam descentrados para não “poluírem” a cidade. Hoje em dia, as pessoas negras podem viver onde quiserem na cidade, consoante as suas possibilidades: tanto no township como no centro. Mas como a Sugar nos explicou, muita gente, por mais condições financeiras que tenha, ainda não se sente muito à vontade para morar no centro. Já têm as suas raízes, costumes e amigos dentro do Township. Procuram uma casa melhor, com melhores condições, mas preferem continuar por lá. E acontece também o caminho inverso: uma pessoa branca é livre de viver num township. E será bem recebida. Mas pode sentir-se descentrada, pois os costumes dos townships estão mais ligados às populações negras.
 
Este foi o passeio mais elucidativo de toda a viagem, pontuado por milhares de perguntas, histórias e momentos de silêncio tão prendidos de uma tremenda emoção e ao mesmo tempo, privilégio por poder estar ali. As pessoas de Langa já devem estar mais do que habituadas a turistas, pois ninguém me interpelou por ter uma máquina na mão. As crianças faziam-nos adeus quando passavam por nós, e uma menina até se colou à minha perna durante uns cinco minutos, a pedir-me algo em Xhosa (uma das línguas nacionais da África do Sul), mas eu não compreendo Xhosa e nunca vou saber o que aquela linda miniatura de gente queria comigo. A Sugar explicou que por eu ser diferente – apesar de negra, não sou uma negra típica para eles – as crianças ficavam um pouco fascinadas.
 
As pequenas casas individuais, desenhadas para pessoas individuais ou apenas uma família, muitas vezes albergavam mais de três famílias. Um dos momentos mais fortes foi quando entramos num apartamento. Uma sala comum, uma casa de banho comum e três quartos. E dentro desse apartamento, viviam 6 famílias. SEIS FAMÍLIAS. Em três quartos. Aceitaram que entrássemos nos quartos, mas não fotografei em detalhe por respeito. Camas esguias, fogões, roupa, tudo concebido na medida das possibilidades de cada família e também no âmbito de conseguirem partilhar aqueles quartos minúsculos entre várias pessoas. A promiscuidade e falta de privacidade são de cortar a respiração. Incrível como as pessoas têm de viver até hoje.
 
Apesar de terem água corrente e electricidade (não temos nada disso nos nossos musseques em Angola), as pessoas vivem em condições degradantes. Estas famílias pagam uma renda mensal de 20 Rands para viver nestas condições. Nota: R20 = 2 dólares = 200 Kwanzas.
 
Mas as coisas tendem a mudar: estão a construir mais casas para realocar as pessoas. Para estas poderem ter casas próprias. Aos poucos, as coisas melhoram. Não são perfeitas, mas melhoram. Vimos algumas dessas novas casas em construção. Fiquei impressionada pelo facto de serem sul-Africanos nas obras: em Angola, vêm-se poucos angolanos nas obras, os chineses são mão-de-obra predominante.
 
Cruzamos também com um Angolano, o Souza (conhecido como Sozito) que têm o seu restaurante. Disse-nos que nunca mais voltou para Angola e sinceramente, pelo sotaque, ele já era mais sul-Africano do que outra coisa qualquer. Para finalizar, conhecemos também os bairros de lata logo ao lado das casas mais nobres e bem apetrechadas de Langa. Apesar de ser uma comunidade, a disparidade faz-se sentir.
 
Espero, sinceramente, que as coisas mudem favoravelmente nos townships: que se construam cada vez mais casas de verdade e cada vez menos bairros de lata. E se é o que desejo para a África do Sul, é também o que desejo para Angola, MAS não falemos de politica nacional agora.
Três famílias dormem neste quarto pequeno - Three families share this tiny room

Todas as fotos após a tradução.