quinta-feira, 20 de março de 2014

Mausoléu Agostinho Neto - Agostinho Neto Memorial

 
Querida Sofia,
Já estou de volta a Luanda e fiz um passeio cultural mais do que interessante este Domingo. Nada como também ter a minha melhor amiga de regresso à cidade para fazer coisas proveitosas por aqui! Depois de um Brunch na Vanan Bakery em Talatona, rumámos à Praia do Bispo, ao imponente mausoléu do primeiro presidente de Angola, Agostinho Neto (1975-1979).
 
O mausoléu é o equivalente da Torre Eiffel por aqui: um edifício alto e imponente, que apesar de não estar em altitude, é visível de vários pontos da cidade. Sempre estive curiosa de conhecer, mas tinha como memória de infância ver o Agostinho Neto lá embalsamado. Apesar de gostar de (alguns) cemitérios, não sei se estou pronta a ver mortos. Essa fase já passou, e agora o mausoléu é um museu, rico em história de Angola, homenageando os heróis que contribuíram para a nossa independência. Fiquei surpreendida pelo que vi, pela frescura do espaço apesar de ser subtérreo, pela grandeza das salas, pelo número de pessoas que estavam a visitar (vi, em uma hora, dois grupos a fazer visita guiada), e sobretudo pelo facto de ser gratuito. O museu tem também uma sala com dezenas de computadores (com internet) disponíveis gratuitamente TODOS OS DIAS para quem quiser fazer pesquisas, ver os DVD, ouvir os discursos e ler mais informação sobre Angola. Um tesouro para estudantes!
 
Alguns senão: os portões do recinto, por estarem fechados, fazem com que o Mausoléu pareça estar permanentemente fechado. Basta ir a um portão e pedir para entrar, que este é aberto automaticamente. Mas deveria estar assinalado, não?
Outra coisa: falta de espaços cobertos no jardim. O dia estava quente demais e ficar exposto ao sol daquela maneira é arrasador. 
Conselho: se forem, levem protector solar e chapéu ou sombrinha!

Entretanto, houve um momento muito forte para mim: um jovem com deficiência motora (devido a pólio, julgo) estava ali no Mausoléu. Insistiu para entrar, pois, pelos portões estarem fechados, não sabia por onde entrar. Andava com tremenda dificuldade, mas andou aqueles metros todos para poder visitar o espaço. Estava com o seu smartphone, com música nos ouvidos, tirava as suas fotos, e andou pelo espaço inteiro. Fiquei com o coração partido por ver a dificuldade que ele tinha em andar. Não obstante, o meu coração encheu-se de orgulho graças a ele. Este jovem queria passar alguns minutos a aprender mais sobre o nosso país, e a sua dificuldade motora não o impediu de ser persistente e fazer a sua vida tal como uma pessoa sem as mesmas dificuldades.
 
Ele é o exemplo supremo do que é ser Angolano: temos dificuldades, mas somos persistentes e positivos, não nos deixamos levar (durante muito tempo) em lamentações, porque ninguém pode lutar tanto por nós quanto nós próprios.
 
Quero ser Angolana assim.
 
 
Todas as fotos após a tradução.
 

Dear Sophie,
I am back to Luanda and I did some very interesting sightseeing this past Sunday. This reminds me how happy I am to have my best friend in town to do these interesting things with! After having brunch at Vanan Bakery in Talatona, we headed to Praia do Bispo, more specifically to Agostinho Neto’s Memorial, also known as his Mausoleum. Agostinho Neto was Angola’s first president, from 1975 to 1979.
 
The mausoleum is basically the equivalent of the Eiffel Tower here: it’s a tall and lean building that one can see from various locations in the city. I have been curious about this specific spot since I was a little girl: Agostinho Neto was embalmed and on display there when I was younger. I like cemeteries, but I do not think I am keen on seeing dead people in front of me. This phase is now way past us and it was transformed in a museum. It is rich in history, more precisely about our independence and struggle to remain a sovereign country throughout the years. I was incredibly surprised with what I saw, with the freshness indoors (even though the museum is underground), by the greatness of the rooms, by the number of visitors (in one hour, I saw two groups in a guided tour), and mostly for the fact entrance is free. The museum also holds a room full of computers, with internet access, that are available to everybody who needs them, with documents, DVD, speeches and info about our history. A true gem for students!
 
A few hiccups: the exterior gates are closed, hence people not knowing the Mausoleum is actually… OPEN. If one gets to a gate, it automatically opens, but one needs to be insistent to discover this. Should there not be a warning mentioning this? Another thing: outdoor spots have no shade. I was there in such a warm day, it was painful to be outside. My advice if you visit: wear sunscreen and have a hat with you!
 
Nevertheless, the visit had a tremendous impact for me thanks to an anonymous person: there was this young man with a physical disability (a consequence of polio) that was also there. He was very insisting as one has to be to get there as the damn gates are closed and walked painfully but surely from the gates to the museum and throughout the museum. He had his headphones on, his smartphone in hand and was taking loads of pictures. My heart broke as I noticed the difficulty he was in to walk, yet he had a purpose and his hindrances were NOT refraining him from doing what people without disabilities do. He filled my heart and soul with tremendous pride for not being the kind of person that feels sorry for himself and hides. He wanted to do something and he achieved this.
 
This is the real Angolan spirit: we are persistent and positive through tremendous pain and obstacles. No one can fight for us better than ourselves.
 
 I wish I were an Angolan like that.
 
 






























 
 












 







 





 
 














 

 
 

2 comentários:

  1. Olá Jessica ! Sabes se está aberto de domingo a domingo ?

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    1. Marcia, o rapaz que estava na sala de computadores disse que estava aberto todos os dias. Agora desconheço a veracidade do que disse.

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