Querida Sofia,
Há alguns anos que compro a integralidade da música que oiço no iTunes e raramente me arrependo da compra. Okay, até hoje sinto-me amargurada ao pensar nos tostões gastos na banda sonora do segundo filme da Saga Twilight. Que horror. 18 faixas e apenas gostava de uma. É no que dá, comprar música às cegas.
Há algumas (muitas) semanas, comprei dois álbuns às cegas de novo. O novo da Feist (Metals) porque tinha adorado o seu trabalho anterior (The Reminder) e o último da Adele (21), porque, de novo, tinha adorado o seu trabalho anterior (19).
Estive para morrer. Os minutos no metro ou a andar não passavam. As faixas dos dois álbuns não me animavam por nada deste mundo. Por um lado, a Feist não tinha nenhuma música que me desse genica, nada que me fizesse querer levantar da cama ou andar rápido até o trabalho. Tudo muito soft, tudo muito controlado, enquanto que no album anterior, tinha ali 4 ou 5 músicas que até me ajudavam a limpar a casa (oh oh).
O álbum da Adele, bem, talento ela tem, voz ela tem, tudo bem. Mas parece um album típico de mulher amargurada que apenas quer dizer coisas do tipo “sou muito forte e não me esqueci de me esquecer de ti”. I mean, filha, se ele não te faz mais efeito algum, apenas deixas de falar dele e de cantar "estou feliz sem ti e espero encontrar alguém como tu". Pelo amor de Deus. Ainda bem que não estou no pior momento da minha vida senão já me teria suicidado.
Compreendo que foi o album que a soltou dos demónios da relação horrível e destrutiva na qual ela se tinha metido. O problema não é a Adele nem o que ela sentiu no momento, o problema sou eu que já passei por isso e não me apetece abraçar de novo a amargura da perda de alguém(ns). Talvez este album tenha mais sentido quando eu voltar a perder alguém. Então espero que não seja tão cedo.
Tenho menos remorsos por ter comprado o album da Feist que o da Adele. Porque a Feist é menos amargurada e torturada. E talvez compor e gravar em Paris, já tão cinzenta, a tenha ajudado a ser menos grise nas suas letras. Okay, não tem a voz da Adele (não quero comparar, não gosto delas pelas mesmas razões), mas falo das letras e o que as músicas me fazem sentir. Com uma pistola na cabeça, posso dizer que no álbum da Feist, valem a pena as músicas: “The Bad in Each Other”, “The Circle Married the Line” (adoro estas duas), “Bittersweet Melodies”, "A Commotion".
No da Adele, depois de muito pensar “Rolling in the Deep”, “Rumour Has It”, “Set Fire to the Rain” e é tudo. A "Someone Like You" é a música mais infeliz dos últimos tempos. Se alguém me tivesse dito isto antes, teria poupado muito dinheiro. Mas, de novo, ninguém teria sabido em antemão me dizer como é que elas me fariam sentir.



11 Resposta(s) a esta Carta:
Elite, Adele é pra se sentir mal mesmo. É música pra curtir dor de corno. É para aqueles dias em que se perde a fé na vida e no mundo. Em que tudo o que você quer é ficar bebendo, deitado no escuro enquanto ouve uma música triste que conta uma história mais triste que a sua. Creio que nesse ponto ela é perfeita.
Elite, não sei se é o teu género mas eu gosto imenso do novo album dos Florence+the Machine.Deixo-te esta http://www.youtube.com/watch?v=WbN0nX61rIs
Beijinho
Joana
Gosto muito da Adele, da voz dela, da presença e tudo mais... mas realmente é muita dor junta.
Ai mana,
hoje decidi espreitar alguns dos "meus" blogs e deparou-me logo com este maravilhoso post.
Eu costumo dizer que a Adele é a Roberta Miranda anglófona, é muita dor de corno e choraminguice junta.
Adoro-te!
Beijos
Só gosto mesmo da banda sonora, no que toca ao Twilight. E nesse disco, adoro a faixa Roslyn.
Este post até me serviu de alivio, e os coments aqui tambem. Isto porque já achava que eu deveria ser seguramente a unica pessoa na face do planeta que acahava a Adele um depressivo natural.
O quanto já ri com os vossos comentários ;)
Lamento, eu sou das que adora o album!Jà o ando a ouvir hà meses, não so a musica "someone like you", gosto de todas!
beijinhos
Eu adoro a Adele e o album. Não levo a música à letra, isto é, não quero saber, nem sei se a Adele tem problemas sentimentais, acho que a música em questão pode ser aplicada a todos nós, com ou sem problemas, em qualquer situação. Por acaso, quando oiço essa música, associo-a ao meu pai, não sei porquê :) Adoro a voz dela, acima de tudo.
Beijinhos
A "Someone Like You" é precisamente a que gosto mais dela (se bem que ainda não me dei ao trabalho de ouvir as outras com atenção), mas desse tema prefiro a versão acústica, a outra versão em que ela canta o refrão com uma voz mais aguda não me agrada muito.
Relativamente à “Rolling in the Deep” já estou um pouco farta, é a que teve mais popularidade e ouvia-se em todo o lado!
"I mean, filha, se ele não te faz mais efeito algum, apenas deixas de falar dele e de cantar "estou feliz sem ti e espero encontrar alguém como tu". Pelo amor de Deus. Ainda bem que não estou no pior momento da minha vida senão já me teria suicidado." Adorei esta parte! x)
Gostei bastante do blogue. Vou seguir :)
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