segunda-feira, 31 de outubro de 2011

(why) Never will I ever date a married man.

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(post de Abril 2010, válido hoje como ontem)


Querida Sofia,

Mas ainda não saiu de moda essa de namorar com homens casados? Todos nós conhecemos a lengalenga. Menina vai a um jantar de amigos. A uma discoteca. A um cocktail da empresa. Encontra menino. Os dois entram no jogo da sedução. Trocam de números de telefone. Oops, não, hoje em dia, trocam apenas de mail e basta. Assim podem encontrar-se no LinkedIn, Facebook, Viadeo, Orkut, Twitter, A Small World e outras redes sociais. Podem assim manter o contacto, apreciando as fotos das farras e da infância um do outro. Até podem comparar os CV. Okay, tudo no lugar, encontram-se um par de vezes. Para uma exposição de fotografia, para um cinema, para ouvir jazz num bar escondido numa cave muito chique. Até aqui tudo bem. Demoram, chove não molha, mas rola o primeiro beijo. Acontece, vira manchete e até é repetido. Beijo é tão bom, beijo não mata e já ninguém morre com uma hepatitezinha. E ai, ela fica caidinha por ele. Aliás, ela já estava caidinha, mas apenas agora atingiram o ponto de não retorno. Ela já começa a ver-se apresentar o menino aos pais, às amigas, mostrá-lo como um troféu anti-solteirice e avançar na vida. Dali a ter casa, carro e filhos é pouca coisa.
Mas depois desse beijo, ele faz uma carinha de peido. “O que tens, o que se passa?” pergunta ela preocupada. Ele contorce-se, afasta-se de nós por uns centímetros, entra num teatrinho de jogador de futebol ferido e confessa. “Sou casado, sou noivo, sou comprometido”. O choque. E que choque. Ele pertence a uma outra gaja. Perdemos algo que no fundo, nunca tivemos. “Mas a nossa relação está mesmo por um fio, não quero mais nada com ela, já faltou mais para eu sair de casa”. E ai, vemos de novo a luz no fundo do túnel. Não falta nada para ele ser nosso. E reconstruímos mentalmente a casa, o carro e os filhos.
Sofia, ainda acreditas nisso? Que ele vai MESMO largar a mulher por ti? Que está mesmo prestes a separar-se? Que a relação está mesmo por um fio? Então, aqui vai the breaking news: ele não vai largar ninguém. Ele não vai separar-se de ninguém. A relação dele está apenas por um fio no mundo imaginário da relação que ele quer construir contigo. Mas tudo depende de ti. Tu é que tens de ver se vais acreditar na conversa afiada dele por um mês, seis meses ou durante anos. É que esta cena pode realmente durar ANOS. É que estes homens sempre a “um fio de se separarem” têm muitas cartas na manga. A mulher é uma chata, é horrível, foram sempre forçados a casarem com elas. Nós, as amantes, somos sempre melhores, o que eles sempre esperaram e eles descobriram o que é o amor connosco. E o que falta para que saiam de casa é “não quero deixar os meus filhos só assim, sem mais nem menos”, “a mãe dela está doente, ela está bastante fragilizada, vamos aguardar um pouco”, “nós temos um negócio juntos, sair agora é delicado, mas assim que eu juntar algum dinheiro, saio da sociedade” e uero uero uero, fioco fioco fioco. Mentiras, mentiras, mentiras.
Quem nunca caiu (inocentemente ou não) numa cantada? Acontece a todos (e todas), até aos melhores. Quem nunca teve vontade de acreditar que alguém “inacessível” e “comprometido” e “distante” poderia finalmente ser nosso? Todo o mundo. Não ouvir os outros nesses momentos nos quais quer-se acreditar na história da carochinha também depende apenas de nós, na vontade de cair e na nossa própria dependência afectiva. Mas errar é humano. Insistir no erro é burrice. E não faz mal repetir: não, ele não vai deixá-la para ficar contigo.

17 Resposta(s) a esta Carta:

Teresa disse...

Qual a mulher que não tropeçou já num homem casado? A maior parte das vezes sem saber que era casado, ao princípio.
Este teu texto tão pertinente lembra-me um artigo lido há muitos anos e recuperado há poucos num livro que me foi oferecido. A ver se o digitalizo rapidamente e o ponho no blogue. Passaram trinta e tal anos, mas há realidades que não mudam.

_+*Ælitis in Paris*+_ disse...

Tropeçar, tropeçamos todas. Eu incluída. Como nos livramos de queda é o que nos diferencia (ou não).

Teresa disse...

Mas olha que, como diza o velho Hamlet, há mais coisas no céu e na terra do que sonha a nossa filosofia.

Uma das razões por que considero este teu post tão oportuno é porque aposto que há muitas mulheres com blogues que vivem realidades destas, que por vergonha nunca confessariam, que vivem vidas atormentadas.

E ainda há outra face, a da mulher que pode escolher deliberadamente um homem casado justamente por não ter qualquer autoridade para lhe pedir coisas que ela não quer dar. Já pensaste nisso? :)

_+*Ælitis in Paris*+_ disse...

No final do dia (eu, a tentar escrever 100% português), não posso julgar quem tenta uma relação com um homem casado. Com os divorcios que tenho vivido à minha volta, sei que alguns acabam, SIM, por deixar as esposas. As pessoas adoptam o estilo de vida que quiserem. Mas em 79% (cof cof cof) dos casos, há muito sofrimento, no mínimo para uma pessoa, no máximo para três.

Em plena consciência do assunto, eu digo que não o voltarei a fazer. Meus valores, minhas regras.

Teresa disse...

Eu também não. Estamos entendidas.
Isto daria uma conversa muito comprida. E cheia de compaixão par com as mulheres que insensivelmente se deixam enredar nestas malhas tão complicadas.

Anna Silk disse...

haha mto bom a verdadinha!adorei as descrições!


xoxo

annasilk
trendanalogy@blogspot.com

Clau disse...

... uhn.... podendo correr (e corro de certeza) o risco de ser apelidada de leviana ou de bitch, porque não? Destruidora de lares é que não... por favor ;-), pergunto muito sinceramente.. o que se pode dizer desse tipo de relacionamentos, em que, desde o princípio, já está aberto o jogo, os dados estão lançados, a ideia não é nem casar nem ter filhos (da parte da mulher) e, basicamente, podem ter uma amizade mais colorida, sem grandes "problemas"?? Claro que com isto me dirão "e então a mulher, Cláudia? Onde fica a mulher dele no meio disto? Está a ser traída, não?" Não entendo a traição com uma saída nocturna que pode só passar por jantar ou um concerto, tomar um café.. isso faz-se com qualquer amigo. Dormir junto, fazer sexo (ou amor).. poderá ser traição no sentido restrito da palavra? Ou simplesmente é sexo sem compromisso? A mulher, a esposa, não é traída, não existe a infidelidade de alguém amar outro alguém. Há que pensar nesses casos também, em que existem amizades um bocadinho mais além do que é devido. Em que a esposa não conhece a amiga, embora a amiga deva saber quem é a esposa. Só para não haver cinfusões e para haver o mínimo de cuidado e respeito.. já que eticamente, não há moral nenhuma. Não estou a dizer com isto que estou nesse caso.. (até posso gostar de uma pessoa casada), mas imagino que se tivesse essa oportunidade de haver qualquer coisa, rolar algo sem que haja complicações para ambos (e terceira parte), talvez fosse avante. Não o vejo como um pecado.. embora, se me colocar no lugar da mulher, obviamente que não saberia bem o que dizer ou escrever. Sou contra a infidelidade, mas no sentido de vidas duplas, segundas mulheres, amantes, dependência de ambas as partes. Amizades que só a cada conjuge dizem respeito, é outra história?? Escrevam lá o que acham sobre isso...

stiletto disse...

Por enquanto ainda só estive no papel de mulher (oficial) traída. Daquela que acreditava sempre quando ele voltava arrependido, dizia que era de mim é que gostava e que não voltava a acontecer. Doce engano, voltava sempre a acontecer... até o meu saco ficar cheio e mandá-lo passear. Que eu saiba está com essa pessoa até hoje. Não sei é se ele me chegaria a deixar algum dia se eu não o tivesse "empurrado" para fora lol. Estar no papel de oficial traída não é nada agradável, a humilhação, os sonhos que se sonharam com aquela pessoa que vão morrendo a pouco e pouco, o sofrimento é muito grande. Por um lado até foi bom ter passado por isso já que conheci uma pessoa que me faz sentir muito mais amada e que me faz muito mais feliz. Não sei se algum dia vou passar por uma situação diferente e se algum dia estarei no papel da que traí ou da "outra". Não posso dizer "desta água não beberei" mas custa-me a acreditar. Eu sou pela lealdade. Se há espaço para entrar outra pessoa na relação é porque alguma coisa não estava bem e, se é assim, ou se resolve com a pessoa com que quem se assumiu um compromisso ou se parte para outra, dando oportunidade a que essa pessoa também possa ser feliz.

CF disse...

:):) Toma. Deixo um sorriso.

Just Me...S disse...

O teu post está fantastico e completamente verdadeiro :))

Beijoca boa

Merenwen disse...

Felizmente nunca tive uma paixoneta por nenhum nem tenciono no que depender de mim. Recentemente um casal amigo ( ele mais meu amigo que ela) separou-se, acabaram com 10 anos de relação e uma casa e carro conjuntos porque ela se envolveu com o chefe e saiu de casa numa madrugada em que ele lhe telefonou e disse que tinha deixado a mulher e as duas filhas No dia seguinte ela estava de volta a dizer que se precipitara, isto porque obviamente ele não saiu de casa coisa nenhuma. Não sei como alguém se pode iludir tanto!

Brisa disse...

Fizeste-me lembrar a história de uma grande amiga, que foi a outra durante uns 20 anos. Ele vivia dizendo que um dia ia deixar a mulher, mas que ora era os filhos, ora era a situação económica, enfim, todos os argumentos que referiste. Um belo dia, ele decide ir viver para outro país. E o que aconteceu? Numa assentada, largou a família e largou a outra, num piscar de olhos. Não voltou a dar notícias, o que talvez signifique que já terá encontrado novo amor nas novas terras. O pior de tudo? O pior de tudo é ouvir a minha amiga dizer que se ele lhe ligasse agora a pedir que ela largasse tudo e fosse ter com ele... ela iria na hora! Ela, uma mulher emancipada, independente, que não precisa de homem para pagar as contas.
Sem querer dar uma de moralista, mas penso que estas histórias, salvo raras excepções, têm sempre o mesmo fim: a outra é que fica a sofrer. Por isso, se podemos aprender alguma coisa com a nossa experiência ou com a experiência dos outros é: FUGIR ao menor alerta.

Rita G. disse...

tens muita razão. Um bom texto para abrir os olhos a certas mulheres que estão a deixar-se entrar nesse jogo perigoso! bj

S* disse...

Já caí na cantada, mas de forma deliberada. Tive nojo de mim mesma e jurei que nunca mais.

Silvia disse...

adorei o post. penso igual, mas agi diferente. conheci uma pessoa, casada, e fomos ficando amigos, cúmplices, vá. vivíamos em cidades diferentes e sempre que ele vinha a lisboa dar formação íamos jantar, sem flirt, sem nada fora do compto da amizade tradicional. um dia fui eu ao porto e beijei-o. nem fizemos amor, nem dormimos juntos - dei-lhe um beijo. fi-li impregnada pela felicidade que sentia perto dele. depois, morri de vergonha e enfiei-me no alfa o mais rápido possível e o martírio, a consciência, a moral (ou falta dela) comeram-me a cabeça por demasiado tempo. longo para mim, porque na realidade, em menos de duas semanas ele separou-se e foi para a casa dos pais e dois meses depois, tinha a casa à venda na invicta e já tinha trabalho e casa em lisboa. estamos juntos há cinco anos e é o amor da minha vida. pensamos em ter um filho este ano e nunca fui tão feliz. não tenho orgulho em ter beijado um homem casado, mas tenho muito orgulho na minha relação. mas estou contigo, homem casado é furada. mas com este meu telhado de vidro não atiro pedras, espero só continuar a ver estrelas sob ele. beijos

Framboesa (uma diva de galochas) disse...

Conforme vou vivendo vou-me apercebendo que nem tudo é preto e branco...

Conheço 3 histórias (uma delas demasiadamente proxima) em que o homem casadao divorciou-se e ficou com a nova namorada...cada uma delas com mais de 4 anos...

Percebo o teu ponto de vista e até diria que é totalmente o meu se de dia para dia não me fosse apercebendo que muitas vezes temos atitudes que nunca esperámos e que jurámos nunca ter...

Há uns 3 ou 4 anos atrás eu juraria a pés juntos que nunca me envolveria com alguém casado (nunca aconteceu, para mim sempre foi assim uma especie de repelente)...mas com tanta coisa que tem acontecido na minha vida e no mundo que me rodeia não posso dizer com 100% de certeza que não acontecerá. Na verdade até posso dizer: tenho a certeza que não me envolverei com um homem casado!!! (na verdade tenho essa certeza)...mas tal como disse, quanto mais a vida vai passando por mim cada vez mais vou aprendendo que ninguém tem esse tipo de certezas...

(eita comment confuso hein?)

Red Light Special disse...

E depois há as excepções que confirmam a regra. ;)